Pimenta Rosa

spicy and girlie

12 de March de 2013

Morte Súbita

Vocês se lembram de Válter Dudley, o tio horroroso que infernizou Harry Potter por anos?

Pois talvez essa seja a única semelhança do novo livro de J. K. Rowling, autora de Morte Súbita, com a saga HP.

Casual Vacancy, o nome original do livro, não tem nada da magia, cenários e criaturas fantásticas e relativa inocência dos livros que a autora já escreveu. O “primeiro romance para o público adulto” dela é bem diferente do estilo de Harry Potter.

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Assim, já começo essa resenha explicando que sou péssima pra comprar livros. Péssima. Só compro os que me recomendam, caso contrário eu, infelizmente, acabo julgando o livro pela capa mesmo. Sou realmente ruim pra isso. No caso desse aqui, comprei porque amo de paixão cada página que J.K. já escreveu antes, e mesmo sabendo que não ia ter absolutamente nada do Harry nessa história, isso já foi motivação o suficiente pra cruzar o caixa da Saraiva com ele.

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A história se passa em Pagford, uma cidade minúscula e bem conservadora, repleta de personagens que se parecem e muito, em sua maioria, com os Dudley: interessadíssimos no estado do seu jardim e na vida do vizinho, mas basicamente pouco se lixando pra qualquer coisa que não seja o seu bem pessoal. A cidadezinha não tem um prefeito, mas um Conselho Distrital, que é pano de fundo praticamente para tudo que acontece no livro.

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Já nas primeiras páginas do livro, Barry Fairbrother, um dos conselheiros, morre, e o livro vai narrando as decorrências da morte de Barry na vida de vários personagens. São donas de casa desiludidas com seus casamentos, adolescentes que se auto-mutilam, pessoas com problema de bebida, drogas, egos inflados. As questões que Morte Súbita trata são muito amplas, mas nenhuma delas aparece como menos importante.

Uma coisa que me incomodou no começo foi que, ao que parece, J. K. resolveu que OK, “muito bão, muito bem, meu primeiro romance adulto, então vou falar todos os palavrões que já ouvi na vida e encaixar toda referência chula ao sexo também”. Nada contra nenhum dos dois (só deus sabe a pedreira que eu viro quando tô realmente puta da vida, falo palavrões que nem eu achava que sabia), mas soava mais como se ela quisesse uma impressionada, criar algum tipo de choque de realidade que ficou meio artificial, na minha opinião. Fora que uma coisa é ouvir, outra coisa é ler três palavrões numa só frase de um personagem, por exemplo, o que eu acho que fica cansativo. Ao longo do livro, no entanto, não sei se a gente se acostuma ou se tem uma leve diminuída, mas isso passa a chamar menos atenção, e nos concentramos mais na história em si, o que é bom.

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Em relação aos personagens, eles são muito diferentes dos do mundo de Harry (desculpem, mas pra mim é muito difícil não comparar nem um pouquinho). Eles são…. fracos. Em sua maioria, me parecem pessoas fracas, pelo menos inicialmente.

A vaidade é um sentimento muito presente em Morte Súbita. As aparências são muito importantes para a grande maioria deles, mas mesmo com teto de vidro, ninguém hesita em atirar a primeira pedra no vizinho. O problema é que todo mundo tem um segredo a esconder, e lidar com suas vergonhas, seus segredos, desejos e inseguranças é o que torna o livro interessante, porque vamos acompanhando como cada personagem vai lidando com tudo isso.

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 Alguns, no fim, se mostram realmente pessoas pequenas e mesquinhas. Outros, acabam surpreendendo e mostrando uma coragem e franqueza que a gente não esperava. O sentimento no fim do livro a respeito dos personagens é bem curioso. De um monte de esteriótipos cansativos e aparentemente superficiais, eles vão se desenvolvendo em pessoas realmente complexas, e, o mais interessante, é que a maioria delas acaba se mostrando que não é simplesmente “boa” ou “ruim”, mas apenas humana, com a possibilidade de ter força diante de uma situação difícil ou fugir e se esconder de uma provação. O livro fala, basicamente, de escolhas.

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Uma coisa que faz a leitura realmente gostosa é que J. K. cozinha a gente em fogo lento, no início, mas, quando vemos, já estamos fisgados. Ela constrói devagar todo o cenário, com todos os seus detalhes, cheiros, texturas, materiais, gostos, cores. Tudo tem um porque dela descrever, e muito do caráter dos personagens é revelado de jeitos muito sutis. Então, quando ela fala do tipo de roupa, da bebida preferida, da intenção de alguém ao fazer uma coisa simples, como escolher uma bebida ou se servir de mais um pedaço de bolo, é como se ela os pegasse desprevenidos fazendo algo que denunciasse, pra bem ou mal, exatamente a essência deles.

Eu gosto muito de livros descritivos, mas parece que existe bem um limite. Detalhes de menos, e a história parece que perde a importância, e até a credibilidade. Parece que não dá pra gente conhecer os personagens de verdade, sabe? Detalhes a mais, e você começa a viajar e tentar lembrar o que tem na geladeira pra você jantar.

A autora parece que conta os detalhes certos, e isso é o que eu mais gosto no jeito dela de escrever.

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No fim, eu senti que o livro começa mostrando como Pagford é unida, e como isso é negativo e positivo em diferentes aspectos. Com o desenrolar das histórias paralelas, nós vamos vendo que, na verdade, os moradores não são tão unidos no sentido administrativo da coisa, organizados como uma cidade. E, sim, mostra como a trajetória de vários personagens, que inicialmente parecem não ter nada a ver com a vida do outro, acabam unidas, de jeitos bonitos e de jeitos trágicos.

E, fazendo toooooooooooda a força do mundo pra não contar nenhum spoiler (gente, quem me conhece percebeu que eu tô SUPER contida nessa resenha, haha! tô realmente tentando), a surpresa pra mim foi perceber que, na verdade, a morte súbita não foi de Fairbrother, mas de outra pessoa no livro.

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E vocês aí, quem já leu? Gostaram? Contem pra mim.
:)

10 Comments on Morte Súbita

  1. avatar
    Mari
    March 12, 2013 at 2:35 pm (7 years ago)

    Admito o meu preconceito com autores que escreveram best sellers da moda mas entre todos acho que J.K.Rowling se destaca porque sabe escrever.
    O que você descreveu parece o dia dia, pessoas que escondem seus segredos e suas verdades e por fora criticam as atitudes e opiniões alheia, hipocrisia. Fiquei interessada no livro mas não sei se será uma compra pra agora, estou mais focada em livros científicos sobre psicologia, principalmente sobre pessoas com necessidades especiais, descobri uma paixão por autismo que eu não sabia que eu tinha.

    www,vaidosaetodaprosa.com.br

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      April 2, 2013 at 11:17 am (7 years ago)

      Eu gosto muito de achar um autor q eu ame o estilo da escrita, pq aí eu realmente sigo em busca dos outros livros dele(a) :)

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  2. avatar
    Raquel
    March 12, 2013 at 4:19 pm (7 years ago)

    Fefeh, tu colocou em palavras todas as minhas impressões em relação a esse livro! Comprei por ser fã de HP e por saber que se tem uma coisa que essa mulher sabe fazer, essa coisa é escrever! Não dei nada pela história no início, mas quando eu vi tava viciada. E também me irritei com os palavrões e referências sexuais pela forcação dos primeiros capítulos, mas depois até esqueci deles… Enfim, já to esperando ela escrever/lançar o próximo!

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      April 2, 2013 at 11:01 am (7 years ago)

      Eu tô do mesmo jeito, Raquel, louca pra ela lançar outro!!

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  3. avatar
    Laís
    March 13, 2013 at 8:03 am (7 years ago)

    Fê…. Suas resenhas são sempre tão encantadoras que eu tenho vontade de sair comprando/lendo/ fazendo o que vc mostrou! rs
    Confesso que nem dei muita bola pra esse livro, na verdade nem procurei saber do q se tratava, mas agora deu uma vontadezinha!
    Ah…Preciso te agradecer tbm por ter me apresentado a Birdy! Tô apaixonada!! :)

    Beijos!

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      April 2, 2013 at 11:00 am (7 years ago)

      Obrigada, querida! Fico feliz que goste! :D
      E que bom que gosta da Birdy! Eu tive minha super fase de obsessão com as músicas dela, hahaha, mas agora estou dando uma variada…
      Se ler o livro, conta o que achou depois!

      Beijos, Laís!

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    Eveline
    March 16, 2013 at 9:27 am (7 years ago)

    Comprei antes de sair a versão em português, mas só agora comecei a ler. Depois eu volto pra ver se as minhas impressões bateram!

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      April 2, 2013 at 10:57 am (7 years ago)

      Sim, volta pra comentar, flor! :D

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    Andressa Spanopoulos
    March 20, 2013 at 4:27 pm (7 years ago)

    Nossa, eu adorei o livro! Mas tb tive a mesma impressão, que a Rowling forçou um pouco nos palavrões e nas referências ao sexo só para tirar aquele ‘estigma’ de escritora infantil. Fora isso, a trama é perfeita e os personagens são muito envolventes!

    Adorei a resenha! Realmente deve ter sido muuuito difícil de escrever sem contar o que acontece!! Hahaha =XX

    Beijos!
    esmaltesdaandressa.blogspot.com.br/

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      April 2, 2013 at 10:56 am (7 years ago)

      Haha sim, foi mesmo, ainda mais que eu vivo levando bronca pq sempre solto uns spoilers! :X

      Beijos, Andressa!

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